Eu te amo, cara & Um amor quase perfeito
(I love you, man & Le Fate Ignoranti )
Eu te amo, cara
Diretor: John Hamburg
Roteiro: John Hamburg e Larry Levin
Argumento: Larry Levin
Ano: 2009
Um amor quase perfeito
Diretor: Ferzan Ozpetek
Roteiro: Gianni Romoli
Argumento: Gianni Romoli & Ferzan Ozpetek
Ano: 2001
Ontem minha mãe me chamou para ver um filme que ela alugou, “Um amor quase perfeito”. Enquanto a esperava comecei a ver uma comédia “romântica”. Tive muita sorte pois ambos abordam o mesmo tema cada um através de uma perspectiva muito diferente. Situação perfeita para uma comparação. Um é americano, um é italiano. O primeiro tem toda aquela cara de comédia romântica, com piadas a cada minuto e um drama leve. O segundo tem o ritmo um pouco mais lento, o filme se apresenta com calma, tem planos mais longos e logo deixa um clima mais tenso no ar. Entretanto não é a diferença de estilo que me atraiu, foi a diferença na abordagem do tema.
Já no título 'Eu te amo, cara' deixa explícito que o filme trata do homoerotismo. O filme começa com um par heterossexual (Peter e Zooey) em vias de se casar. Tudo é perfeito para Zooey, suas amigas admiram a relação que eles têm, o modo romântico com que se dá o pedido de casamento, é tudo lindo. Tanto que Zooey passa horas ligando para suas amigas e contando a novidade (o pedido de casamento). Para Peter as coisas são um pouco desconfortáveis. Desde quanto percebe que sua esposa conta intimidades às amigas até perceber que não tem amigos com quem compartilhar a novidade do casamento, isto sem contar o modo constrangedor com que seus pais recebem a notícia. O pior mesmo é que Peter flagra as amigas de Zoeey dizendo que nada é pior do que um marido sem amigos, ele se tornará grudento, não a deixará ter vida pessoal.
Peter quer muito encontrar um amigo para para ser seu padrinho de casamento, entretanto fica óbvio que ele se dá muito melhor com as garotas. A partir daí o file é dirigido, é construído para em todos os momentos possíveis dar uma ambiguidade ao sentimento de Peter. Ele passa a olhar os homens ao seu redor e a tentar entender seu mundo. Mas ele os olha apenas procurando desvendar o mundo masculino para encontrar amigos ou tem secretamente tesão por homens? Enquanto procura um amigo para ajudar o casamento (sob os auspícios de sua bela esposa, Zoeey) talvez esteja se envolvendo e se descobrindo gay. Confesso que esta premissa me envolveu. Eu senti muito intensamente a ironia de ver Zoeey se animando ao vê-lo se envolver com um possível concorrente às vésperas de seu casamento.
Em retrospectiva o desenlace do filme é bem engraçado. Se bem que na hora foi um suspense bem tenso para mim. O amigo de Peter chega na hora do casamento a convite de Zoeey. Em seguida Peter e seu amigo ficam fazendo mil declarações de amor um ao outro. Isto tudo.... bem, isto tudo em cima do altar em frente à todos os convidados. Em seguida Peter e Zoeey se casam.
Eu sei, eu sei... Tudo parece confuso. Mas minha intensão não é explicar o enredo do filme. Para isto assistam-no.
O que me importa mesmo são as delicadas relações pessoais. Achei muito legal o modo com que foram construídas. Para mim o filme não deixa claro se Peter é ou não gay. De qualquer modo achei muito legal a decisão de não recriminar a decisão de casar com Zoeey. Se ele não é gay deve casar mesmo, pois têm uma relação legal. Se ele é gay talvez esteja tomando uma decisão errada. Mas quem somos nós para julgar esta decisão? Além do mais, será que ele não pode gostar das duas opções? O filme se posiciona como se fosse possível isto dar certo. Inclusive o pai de Peter parece ter uma relação bem parecida com seu melhor amigo. Será a toa que ganhou o título de gay honorário? Vocês não entenderam, né? Vejam o filme.
Logo em seguida vi “Um amor quase perfeito”. A primeira cena me lembrou muito a cena de “Vestida para matar” que se passa no museu. Uma moça bonita é assediada por um homem também muito bonito e ambos acabam juntos. Logo percebemos que eles são casados e o flerte foi apenas um momento carinhoso entre o casal.
Ao longo do filmes ficamos sabendo que Antonia (em italiano é sem acento) passou a vida adulta inteira com o marido que conheceu ainda no segundo grau. Decisões importantes foram tomadas em conjunto (como não ter filhos). Segundo sua mãe Antônia dedicou a vida ao belo e carinhoso marido. Imaginem o choque de Antonia quando ele morre! Foi atropelado a caminho de uma viagem de negócios – que tinha um apartamento em outra cidade.
Antonia recebe os pertences do outro apartamento. Dentre eles um quadro dado de presente por Michele em uma dedicatória que diz que estão juntos há sete anos. Antônia fica louca atrás de qualquer pista que possa a levá-la a Michele e acaba descobrindo um molho de chaves e um endereço.
O endereço leva a uma prumada meio feia, meio pobre, cheia de pessoas muito diferentes do mundo seu mundo rico. Antonia insiste em ir a este lugar em que, aparentemente, o amor de sua vida frequentava. Não sei se é preconceito meu, mas dado o ambiente achei que Michele fosse uma prostituta. Em verdade ela trabalhava à noite, mas trabalhava em um mercado local.
Após ter que aceitar que era traída por seu finado esposo o mais difícil foi ter que aceitar o fato do amante ser Michele, um homem muito bonito. A pessoa mais próxima, a única com quem Antonia conversa sobre sua situação, é sua mãe. Sua mãe dá um conselho um pouco estranho, diz que ambas estão sós e podem ser amigas.
Para colocar em poucas palavras, a premissa do filme é esta. Antonia se envolve no mundo de Michele. É seduzida por um mundo rico, cheio de pessoas, cheio de vida, e cheio das memórias de Serra. Demora para que Antonia e Michele consigam se ver sem ver entre ambas Serra.
Adoro filmes cheios de personagens, cheio de vínculos, cheio de vida. 'Um amor quase perfeito' é assim. E isto o torna rico. É cheio de descobertas de como são as personagens, por isto têm muitas boas cenas. Gostei muito da cena em que almoçam juntos, também gostei de alguns diálogos entre com a mãe. Mas a melhor cena, sem dúvida, a cena que resume o filme é a cena em que Michele conta como conheceu Serra.
Michele passou dias procurando um livro raro, a obra completa de um poeta. Achou o livro e o comprou. Serra entrou na livraria e confundiu Michele com um vendedor e pediu pelo livro. Serra queria tanto o livro que ofereceu muitas vezes o que Michele tinha pago. Este momento a seduziu, nunca antes conhecera alguém com o mesmo gosto para poesias. Então Antonia explica que o livro era um presente. Serra nem conhecia o autor.
Esta cena é maravilhosa pois mostra que a origem da atração entre Serra e Michele era um interesse de Antonia (o livro de poesias). Serra sempre foi mostrado no filme como alguém importante e terno. Foi mostrado com delicadeza como um homem que amava a esposa e a amante. Será que esta estória é a continuação da estória de Peter e Zoeey?
domingo, 15 de agosto de 2010
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